segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Qual árvore...



Texto inspirado num conto da obra "Contos de contemplação" de Sandro Martins Costa Mendes
Desenho de Wagner Passos


Tal qual uma árvore numa peça de teatro.
É assim que me sinto.
- A que horas vais dormir?
A menina pergunta ao seu amigo.
- Não sei, porque te sigo e apenas repousarei, nunca mais dormirei.
O menino respondeu.
Ela nem ficou abalada no momento...
Ela nunca ficava...
Mas a noite caía
E ela lembrava do que lhe costumavam falar.
E aí ela sentia
E aí o que estava reprimido lhe fazia chorar soluçando
E rir gargalhando
Era intensa enquanto o menino se dispersava e saía à caça
Naquela floresta que tinha mais macieiras
Do que no quintal de minha avó.
Teve um dia que eu me perdi...
E o meu amigo tinha uma cesta cheia de maçãs
Que quase apodreceram assim como seu sorriso que amareleceu
Esperando pela minha fome, pelos meus passos e principalmente,
Pelo meu sorriso...
O menino nem saía à caça, mas sim à procura de si mesmo
E os dois quando se encontravam tinham aquele olhar característico
De duas crianças apaixonadas
Apaixonadas pela vida
Com um olhar curioso... com um olhar inocente
Com sonhos que não são males, mas desejos
Porque desejos nascem com a gente
E se não se desenvolvem em um meio
Vêm nos genes
- Vêm de família!
Como os avós dessas crianças diziam,
Antes deles terem se perdido...

5 comentários:

  1. Pois não há folhas que não sejam tocadas pelo Sol, ou pelo orvalho, mesmo na floresta mais densa.

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  2. Sandro M. C. Mendes14 de setembro de 2010 07:22

    Gosto muito quando as artes se encontram, quando os artistas se bebem e se comem e quando surge uma nova obra, uma nova visão, um novo mundo. Sou a favor do swing criador!

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  3. Muito simpático o desenho; delicado como o texto...

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  4. Tb sou a favor do swing criador! rsrsrs As artes se completam! O que seria da dança sem a música, da canção sem a palavra, da poesia sem a inspiração...

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