segunda-feira, 19 de março de 2012

Horas e Ondas

Desistir
Deixar de existir
As ondas
No lugar
Das horas
Me levam
Me trazem
Para o feliz passado
Para o nebuloso futuro
Há resquícios do Novo Mundo
Há resíduos nas ondas
Que me fazem lembrar
Que minha memória
Me pertence
Mas eu não pertenço
A ninguém
- Ondas e Horas,
Me deixem!

florida

Caminho tanto
Pra buscar algo que sei que está tão perto
Caio tanto
Pra saber que tua mão me apoiará
E a macieira me olha
Suas folhas caem, mas sua copa robusta
me olha
Seus frutos caem
Uns apodrecem
Outros me saciam
Muitos morrem
Planos decolam
Planos aterrissam
Por cima da macieira
E ela florida
E ela nua
Me olha

Sweet Diamond

Hard as a diamond
I couldn’t feel it
So, that’s not real
Yes, it’s just like a picture
“- Fantasize” I said to the
Enchanting doll
Even when the sun is down
Even when your shoulders are hurt
Each choice is a dilemma
Even if it’s nonsense
I could be beside you
Don’t look back in fury
You have hair of fury
You had lips which burnt me
You had eyes which deluded me
But now I woke up from slumber
The shadows disappeared
I can see my own body and mind
Heading up to somewhere new

Sleight of hand can lead my attention away
But cannot trick me anymore

Lucille

- What’s the right word Lucille?
- Desire…?
- That’s right my dear! Desire can take you anywhere!
- Is our precious girl going to be deflowered?
- Yes.
- Why are you so cruel?
- Because I know she can go beyond the boundaries
- We’ve experienced almost the same…

- I’m really glad she came back...

CAFÉ

O café extra forte
A caixa verde
Melita
Mel
café é a essência e mel é o que adocica a minha essência

Daisy

Não quero a flor guardada dentro de um livro
Daisy, tua vida findou-se e não te avisaram
Intolerável mofo que infesta minha concentração
Daisy, um abraço te confirmaria a existência

Contos dedicados a cada um

From my heart

Eu liguei do meu coração para o teu, mas o teu estava ocupado quebrando corações alheios


A minha primeira leitora

Aquela que ao entrar no ônibus cheia de pensamentos que nem se intercalavam, mas sim brigavam e a cada lombada entravam numa paz profunda que durava segundos que para mim seriam os minutos eternos se naquele momento ela lembrasse de olhar o que tinha dentro da pasta ou da mochila... não sei onde ela os tinha guardado...

Meus ais gritavam meus emes murmuravam melancolicamente meus ésses te seduziam meus ós te surpreendiam meus érres te diziam da loucura que temos e que nos tem e que me teve desde que te vi

E assim viajavam as aliterações e as assonâncias loucas para se libertarem e se perderem mas o que houve que eles foram silenciados? Os Ais os Emes os Ésses e os Ós... principalmente os Ósss se espantavam, creio que tinham medo de perder tudo que já tinham em seu mundo cíclico e fechado...

E o sono tomou conta da minha primeira leitora

Que sono que nada... mais algumas lombadas e a chegada estava perto

E perto do fim estavam ou melhor... perto do início estavam a minha confissão

A que escrevi e que nunca leste com olhos abertos iguais aos que tens agora mas que não são meus

Tinha me esquecido dos érres, esses nem precisaram gritar, já eram insanos em seu silêncio que nem a pureza do meu amor por ti... Érres avassaladores de mim que troteavam minha alma e confundiam a tua que enxergava mas não via.

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“criar é literalmente arrancar com esforço bruto algo informe do Kaos. Confesso que ambos me seduzem, o Kaos e o in ou disforme” (Caio F.)